Reabilitação Neuropsicológica Holística e a Busca Constante pelo Conhecimento
A busca pela compreensão do potencial humano no aprendizado e na reabilitação neuropsicológica tem instigado questionamentos sobre como avaliar, intervir
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Especialista em reabilitação neuropsicológica e aprendizagem humana. Atendimento para crianças, adolescentes e adultos com TEA, TDAH, dificuldades de aprendizagem, linguagem e funções executivas.
Nos últimos anos, o uso de telas por crianças pequenas aumentou significativamente. Celulares, tablets e televisores passaram a fazer parte da rotina de muitas famílias. No entanto, pesquisas recentes em neurociência têm levantado um alerta importante: o excesso de tempo de tela pode estar associado a mudanças na estrutura do cérebro em crianças pré-escolares. Um dos estudos mais discutidos nessa área foi conduzido pelo pesquisador Dr. John S. Hutton, pediatra e cientista do desenvolvimento infantil, e publicado na revista científica JAMA Pediatrics. A pesquisa investigou como o tempo de exposição a telas poderia se relacionar com o desenvolvimento cerebral de crianças entre 3 e 5 anos. O que os pesquisadores fizeram O estudo avaliou 47 crianças pré-escolares, utilizando exames de ressonância magnética com técnica de Diffusion Tensor Imaging (DTI). Esse tipo de exame permite observar a integridade da substância branca do cérebro, região formada por fibras nervosas que possuem bainha de mielina — uma estrutura essencial para a transmissão rápida e eficiente das informações entre os neurônios. Além do exame cerebral, os pesquisadores aplicaram um instrumento chamado ScreenQ, que mede o nível de exposição da criança a mídias digitais. O que foi encontrado Os resultados mostraram que crianças com maior tempo de exposição a telas apresentaram menor organização das fibras de substância branca em áreas relacionadas a: 1- linguagem 2- habilidades de pré-leitura 3- funções executivas 4- processamento cognitivo 5- Em termos simples, isso significa que os circuitos cerebrais responsáveis por habilidades fundamentais para a aprendizagem podem estar menos organizados ou menos eficientes quando a exposição às telas é excessiva. Essas fibras de substância branca dependem diretamente da bainha de mielina, que funciona como um isolamento ao redor dos axônios, permitindo que os impulsos nervosos se propaguem com mais velocidade e eficiência. Por que isso pode acontecer? A infância é um período de intenso desenvolvimento cerebral. A formação e o fortalecimento das conexões neurais dependem de experiências ricas como: - interação social com adultos - brincadeiras motoras - exploração do ambiente - linguagem e conversação - leitura compartilhada Quando o tempo de tela ocupa grande parte do cotidiano, essas experiências fundamentais podem ser reduzidas, o que pode impactar o processo natural de mielinização e organização dos circuitos cerebrais. O que dizem as recomendações internacionais Organizações como a American Academy of Pediatrics orientam que: - crianças menores de 2 anos evitem exposição a telas - entre 2 e 5 anos, o uso seja limitado a cerca de 1 hora por dia, sempre com acompanhamento dos pais ou responsáveis. O objetivo não é demonizar a tecnologia, mas equilibrar o uso com experiências essenciais para o desenvolvimento cerebral saudável. Onde encontrar o estudo completo A pesquisa pode ser consultada nas seguintes bases científicas: Artigo original: Hutton, J. S., Dudley, J., Horowitz-Kraus, T., DeWitt, T., & Holland, S. K. (2020). Associations Between Screen-Based Media Use and Brain White Matter Integrity in Preschool-Aged Children. JAMA Pediatrics. Para leitura do artigo científico completo, procure nas plataformas: PubMed JAMA Network Google Scholar Pesquisando pelo título do artigo ou pelo nome do autor John S. Hutton. Reflexão final O cérebro infantil se desenvolve a partir das experiências vividas no mundo real. Brincar, conversar, explorar e interagir são atividades que estimulam redes neurais complexas e favorecem o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. O desafio atual não é apenas controlar o tempo de tela, mas garantir que as crianças tenham oportunidades ricas de interação e aprendizagem fora do ambiente digital.
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