
Yeung et al. (2024). Longitudinal changes in executive function in autism: a systematic review and meta-analysis.
A principal conclusão é que pessoas autistas podem apresentar desenvolvimento das funções executivas ao longo da infância e adolescência, muitas vezes com mudanças semelhantes às observadas nos grupos não autistas.

Adolescência e Autismo.

“Todo homem pode ser, se desejar, o escultor de seu próprio cérebro.”
– — Santiago Ramón y Cajal
A adolescência não transforma o autismo em outra condição. O que ocorre é uma nova etapa do neurodesenvolvimento, marcada pela puberdade, maior exigência social, amadurecimento das funções executivas e reorganização das redes cerebrais.
A conclusão mais importante dos estudos atuais é: não existe um único “cérebro autista”. Há grande diversidade entre adolescentes autistas quanto à linguagem, cognição, perfil sensorial, sexo, condições associadas e trajetória de desenvolvimento. Por isso, pesquisas de neuroimagem identificam diferenças médias entre grupos, mas ainda não permitem diagnosticar ou prever individualmente o comportamento de um adolescente por meio de uma ressonância.
A adolescência não transforma o autismo em outra condição, mas representa uma fase de intensa reorganização do neurodesenvolvimento (Halliday et al., 2024).
O que muda no cérebro durante a adolescência?
Baseado em revisões científicas recentes sobre neurodesenvolvimento e neuroimagem no Transtorno do Espectro Autista (TEA), incluindo Halliday et al. (2024), Guo et al. (2024) e Yeung et al. (2024).
A literatura atual demonstra que não existe um único padrão de desenvolvimento cerebral no autismo, havendo ampla heterogeneidade entre indivíduos (Guo et al., 2024; Halliday et al., 2024).

O córtex continua amadurecendo
Na adolescência típica ocorre um processo chamado afinamento cortical, relacionado à reorganização das conexões, poda sináptica e aumento da eficiência cerebral. Afinamento cortical não significa simplesmente “perda de cérebro”; geralmente representa maturação e especialização dos circuitos.
Nos adolescentes autistas, a trajetória pode ser diferente:
- alguns estudos encontraram afinamento cortical mais lento em determinadas regiões;
- outros encontraram afinamento mais acelerado no final da adolescência;
- as diferenças variam conforme idade, região cerebral, sexo e características individuais.
Um estudo longitudinal encontrou redução do afinamento cortical em regiões relacionadas às características do autismo. Outro encontrou maior afinamento no final da adolescência e início da vida adulta. Essa aparente contradição mostra que o autismo envolve trajetórias diferentes, e não uma alteração cerebral única e fixa.
Referências (APA 7ª edição)
Halliday, D. W., et al. (2024). Structural and functional neuroimaging in autistic youth: A review of the autism spectrum disorder literature. Current Developmental Disorders Reports.
Guo, X., et al. (2024). Systematic review and meta-analysis: Multimodal functional connectivity and voxel-based morphometry in autism spectrum disorder. Molecular Autism.
Yeung, M. K., et al. (2024). Longitudinal changes in executive function in autism: A systematic review and meta-analysis. Autism Research.
